O outro lado da moeda

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O outro lado da moeda - Blog

DIA DO ÍNDIO

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Eliésio Marubo*
indio imagemMais um ano, mais um mês de abril e a história ainda continua a se repetir: dia do índio, mês dos índios e etc. Povos indígenas, brasileiros, excluídos da segurança do local de seus ancestrais, do sonho bom que era viver antes da imposição dura dos “sistemas de organização da vida”, do direito de pensar e expressar-se, de ter direito à vida e a segurança, de ter sua condição respeitada, de ter o direito de escolha em qual dos meios sociais desejasse viver.  

Embora exista uma utopia constitucional pairando no ar insistindo  na existência  direito e deveres bem alinhados com a nossa condição, com a moral (a nossa moral) social e com seus padrões democráticos. De igual modo, estranhamente, assistimos povos inteiros lutarem, com suas últimas forças, por um pedaço de chão, por suas moradias, pela proteção de suas famílias entre mil outras coisas.
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Política partidária e Política indígena

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Eliésio Marubo*
atalaia do norteAtalaia do Norte-Am, entra para o rol municípios que pretendem alçar um indígena ao cargo mais alto no executivo municipal.

Essa não é uma novidade entre a sociedade (não indígena) que tem visto cada vez mais os povos indígenas participarem da política partidária como instrumento de controle social e participação coletiva nas decisões que envolvem o tema "questão indígena". O processo histórico que construiu o movimento indígena brasileiro finda na conquista de mais esse espaço político, por diversos aspectos: A biografia de lideranças indígenas que tiveram contato com o poder não saiu da mesma forma quando entraram no jogo político partidário. E isso, a história começa a nos contar por quê; ações deturpadas que ferem de morte o projeto do movimento indígena, a visibilidade do marketing opositor à conquista desse espaço tem se incutado no coletivo sujando as muitas conquistas.

Alguns estudiosos dizem que enveredar para a política partidária é um caminho natural para os movimentos sociais que interagem com o presente e tentam construir o futuro de acordo com as perspectivas culturais. Embora eu concorde com essa tese, vejo que ainda é preciso avançar prioritariamente na finalização da consolidação do papel político que o movimento possui frente à sociedade e as perspectivas que esse modelo associativo cria para o coletivo.  
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Terras indígenas e políticas de governo

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Eliésio Marubo*
A ausência do poder publico nas terras indígenas do país cria verdadeiros  fetiches quando o entendimento para sociedade é apresentado  pela grande mídia inverdades cruéis que macula a luta dos povos indígenas.

No começo da semana o Brasil se viu “chocado” com a notícia que indígenas de estado do Pará haviam vendido seus indgenas e polticas de governodireitos sob a terra que ora ocupam.  A meu ver, duas grandes deficiências fazem parte do processo: uma na maleabilidade da defesa do país e a política publica dispensada aos povos indígenas.

Primeiramente, comecemos por o que conceituo de maleabilidade da defesa nacional. Trata-se da  intervenção ineficiente do poder coercitivo nas fronteiras e em pontos estratégicos ao país, incluindo terras indígenas,  no trato com as ameaças verdadeiras que colocam em risco a segurança nacional. Cada vez é maior o números de  indivíduos estrangeiros, corporações, governos e grupos internacionais atuando em pontos estratégicos no Brasil. Lembrando que todos sempre conseguem estar presentes com o aval de autoridades ou setores estatais. A falta de controle para quem entra ou sai de regiões estratégicas é claramente perceptível e bem reconhecida por quem deseja atuar, fora da lei nacional, nesses lugares. São muitos  os que trabalham para o governo brasileiro ou no terceiro setor. Atuam sem que a sociedade saiba com profundidade os reais objetivos que despertam seus interesses nessas regiões. Assim como, ao descobrir a suposta venda de terras indígenas, a imprensa, séria,  divulgou como são enraizadas as organizações internacionais na Amazônia. O caso partia de lobistas, passava por autoridades  até pessoas envolvidas com uma universidade importante na região norte.
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Ser ou não ser

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Eliésio Marubo*
Novamente teremos eleições municipais esse ano e, novamente teremos muitas promessas. Como diria um gringo em algum momento histórico: “ser ou não ser”; nesse caso adaptando para : “ouvir ou não ouvir” ou “votar ou não votar”. O ser ou no ser povos indigenasfato é que quatro anos demora um bocado para quem não segue escolhe bem seu representante.

No caso dos povos indígenas, a política passa a ser uma ferramenta bem funcional, visto que se a escolha errada vigorar, se perderia bem mais que quatro anos de espera para mudar ou consertar o erro.

No caso indígena, a escolha errada finda em perdas irreparáveis.  Assim como na cidade de Atalaia do Norte, no oeste do estado do Amazonas, onde a escolha errada suplantou o desenvolvimento da educação nas aldeias indígena de minha casa, a terra indígena Vale do Javari.  Nossas escolhas foram erradas e pagamos o erro com o retrocesso na educação, na construção de novas escolas, na consolidação do sistema educacional  que tanto debatemos décadas anteriores. Temos professores amedrontados porque se rebelaram contra o regime ditatorial que se instalara naquele lugar.
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A hepatite entre nós

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Eliésio Marubo*
indios cavalo troiaNa semana em que o Movimento Político Indígena do Vale do Javari – MOPIVAJA deveria comemorar seus doze anos de existência e luta coletiva em favor dos povos indígenas, apenas chora as vidas perdidas, vítimas da hepatite, doença que acomete ferozmente minha região, vítimas da incompetência governamental e do amplo desprezo pela vida.

Rememorando as dores de cada povo de minha região, a terra indígena Vale do Javari, me apego à história dos grandes líderes que foram Edilson Kanamary e José Rufino Marubo, para imprimir o sentimento da dor que sentimos.

Importante líder entre seu povo, Edílson Kanamary fez história na construção de um dos pilares que impulsionaram e fortaleceram a luta do nosso movimento político indígena. Foi coordenador da nossa organização na época de grande movimentação internacional em prol da campanha pela demarcação de nossa terra.
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Belo Monte e Raposa serra do Sol?

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Eliésio Marubo*

Como temos assistido nos noticiários e meio midiáticos dois lados da mesma história: do lado de cá, companheiros no belo montedo Xingú e seus pormenores na luta pela manutenção de sua história e consequentemente suas vidas que, com certeza, mudará após a instalação da usina de Belo Monte. Do La do de lá, o governo e seu aparato estatal utilizando-se da prerrogativa constitucional para cumprir com seu papel, a manutenção da vida social. Claro que nem tudo são flores, ainda é necessário (o governo) clarear alguns pontos obscuros.

Fato como esse nos lembra outro caso que, por analogia, pensaremos Belo Monte.

Trata-se da terra indígena Raposa Serra do Sol em Roraima, naquele caso específico creio que ainda não conseguimos vislumbrar uma saída que pudesse, de fato, eliminar por completo as aberrações sociais advindas antes, durante e depois dos produtores de arroz. Sobre o passado, portanto antes, a história nos diz muita coisa, durante o processo “civilizatório”, o presente já começa a traçar o passado e o futuro, cabe a nós construir agora.

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Segurança nacional

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Eliésio Marubo*
Canadense que vendia imagens de índios Matis, Mayuruna e Marubo volta à cena.

indios stfO canadense que ano passado publicava em seu site, fotos e vídeos de indígenas da terra indígena Vale do Javari sem o conhecimento coletivo, pedia contribuições para “ajudá-los” e vendia as imagens com o mesmo propósito, segundo ele dizia na página principal.

O fato foi denunciado no ministério público federal, por mim, e levado ao conhecimento da polícia federal que ainda investiga as ligações desse senhor aos reais propósitos escondidos, assim como muita coisa na fronteira do Brasil – Perú – Colombia que começam aflorar com novas denuncias.

Segundo a liderança Matis, Binã Tucum, as imagens foram captadas, grande parte, em terras brasileiras com objetivo de formar um projeto de fortalecimento da cultura tradicional.

Lideranças dos outros povos citados, não souberam precisar em que ocasião foram captadas as imagens em poder do acusado.

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A Separação Entre Igreja e Estado

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Eliésio Marubo*

Independência da igreja não quer dizer que ela e o Estado não troquem influencias mútuas do ponto de vista subjetivo e teleológico. De um lado está o Estado positivando (através das normas)  a existência da igreja física com suas estado laicocaracterísticas, igualmente físicas, inerentes a cada sociedade, seja ela harmoniosa ou não.

De outro lado, a igreja como entidade amparada pelo Estado cumpre seu papel social seja pelo ponto de vista religioso ou social. Isto é, o fim a que se destina cada uma é harmônico em seu ente e desarmônico ao coletivo. Outra interpretação que cabe aqui é, que a igreja e o Estado possuem esferas diferentes. A Igreja é cidadã deste mundo e sujeita-se a leis de justiça e de bom senso. Mas deve exclamar como os apóstolos, em Atos 4.19: “Mas Pedro e João, respondendo, lhes disseram: Julgai vós se é justo diante de Deus ouvir-nos antes a vós do que a Deus”. A lealdade última da Igreja é para com Deus e sua Palavra, sua pátria mais amada é a celestial. O Estado também está sob a lei da justiça divina. No Antigo Testamento, Iahweh escolheu Israel, mas é Senhor de todas as nações e toda a terra. Devemos nos lembrar disto.

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“Saúde” indígena

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Eliésio Marubo*

Secretaria Nacional de Saúde indígena – SESAI, repete erros da antiga gestora e começa a colher frutos da incompetência.

saude mortaEmbora tenha nascido da com muita influencia ideológica indígena, a SESAI, órgão ligado ao Ministério da Saúde, gestora da saúde indígena no país, nasceu  nos debates do movimento indígena brasileiro e pretendia objetivar entre outras coisas, transparência na gestão de cifras milionárias, garantir eficiência e eficácia nos serviços de atendimento, tratamento e prevenção de doenças entre os povos indígenas no Brasil.

Situada no centro do poder político brasileiro, a saúde pública é uma moeda valiosa no mercado de conchavos partidários. Nesse panorama, a saúde indígena não deixa nada a desejar aos “politiqueiros” de plantão. Após anos em discussão acerca de seu objetivo central, a saúde indígena mudou de organismo estatal por estar muito em evidencia nos telejornais e nas sarjetas da corrupção. Com objetivo de “melhorar” seus processos de tramitação interna o movimento político indígena brasileiro, que representa os usuários desse sistema, iniciou uma discussão que girava em torno de uma “nova” metodologia na gestão que pudesse de igual forma, “melhorar” conceitos na avaliação e atuação das atividades de saúde nas aldeias.

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Quem sou eu?

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Eliésio Marubo*

Lendo o jornal matinal, como faço todas as manhãs, me deparei com um absurdo esdrúxulo. Uma matéria na capa indio tartaruga estimacaodizia: “indígena recebe multa de 2,5 milhões do IBAMA por transportar quelônios”.  Imediatamente pensei – com meus botões –  se tratar de uma piada, algum tipo recrutado para tráfico de drogas ou algo semelhante.  Erroneamente, meus botões haviam deduzido tal constatação.

De fato a matéria de capa do jornal local tratava da aplicação de multa a um indígena. Curiosamente o indígena em questão é Marubo, vejam só! Apesar do caso ser um pouco hilário (porque isso  em primeira mão é inconcebível), o caso retratado no jornal,  me fez refletir sobre um fato:

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