O outro lado da moeda

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Mario Yamasaki e a luta mais polêmica do UFC 142

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eric silva ufc 142 desclassificadoA luta de Erick Silva foi a mais polêmica desta edição do evento no Rio de Janeiro, isso porque mesmo tendo nocauteado Carlo Prater, o atleta capixaba não levou a vitória para casa. De acordo com o árbitro Mario Yamasaki, o lutador Erick desferiu socos na nuca do adversário, o que é considerado ilegal no Ultimate. Rogério Camões, principal responsável pela preparação física de Erick, falou sobre a luta poucos minutos depois da divulgação do resultado. "Não tenho o que falar. Quem viu, viu. Era tudo o que eu e toda equipe estávamos prevendo. Ele não deu a mínima chance para o Carlo Prater. O Erick veio muito bem treinado. Na verdade foi no jogo, coisa da luta", disse Camões, que vê um futuro brilhante para seu atleta. "Isso mostrou que o Erick veio para ficar, que ele é um lutador que certamente vai ter uma excelente carreira e brevemente vai estar disputando o cinturão". Na verdade, o comentário geral foi que Mario Yamasaki ficou chateado com Erick Silva por não ter obedecido sua ordem para paralisar o combate e ainda desferiu um soco no adversário, então, radicalizou e desclassificou o atleta. 

O drama do mais conhecido árbitro brasileiro de MMA depois de desclassificar atleta no UFC Rio:

altTrinta segundos levaram o árbitro Mario Yamasaki do patamar de astro internacional nas mediações das lutas do UFC à saraivada de acusações por incompetência dentro do octógono. Depois de desclassificar o brasileiro Erick Silva por supostamente ter desferido golpes irregulares na nuca do oponente até levá-lo a nocaute, no primeiro round do UFC Rio II, ele provou a fúria da indignação: recebeu críticas do atleta, do empresário dele, Walid Ismail, do chefão do UFC, Dana White, do apresentador do Ultimate, Joe Rogan, e do público presente ao torneio. Em uma fração de minuto, passou de admirado a odiado. De símbolo de profissionalismo a responsável por manchar a carreira de uma jovem promessa.

A avalanche condenatória à conduta dele, no entanto, pode produzir um efeito nefasto ao esporte e colocar em xeque uma das características mais valorosas do UFC: a independência dos juízes para tomar decisões – mesmo sujeitas a erros. O questionamento do papel do árbitro feito pelo UFC a ponto de cogitar o uso de replays como se o recurso fosse uma medida extrema , na verdade, soa perigoso. Nos Estados Unidos, por exemplo, o emprego da repetição em vídeo está acessível aos árbitros, mas nem por isso evita posicionamentos passíveis de críticas.

 

altBasta recuar poucos meses no tempo para comprovar: na luta entre Mackens Semerzier vs. Robert Peralta, pelo card preliminar do UFC on Fox 1, no fim de 2011, o árbitro John McCarthy deu vitória a Peralta depois de o adversário cair no chão. Big John, considerado o melhor juiz em atividade no MMA, enxergou um soco de Robert no oponente. A imagem no vídeo mostrou uma cabeçada involuntária entre ambos – golpe considerado irregular no MMA. Mas o árbitro havia tomado a decisão sem considerar o replay. Dias depois, ele admitiu o equívoco e se solidarizou ao atleta derrotado para convencer a Comissão Atlética da Califórnia a mudar o resultado do combate – pleito atendido e registrado junto ao Ultimate como no contest. O equívoco de Big John (foto) – excelente árbitro – passou como elemento eventual do esporte. A competência dele enquanto profissional capaz de mediar lutas ficou inabalável. Ele comandou a noite principal do card entre Cain Velasquez e o brasileiro Junior Cigano dos Santos.

O próprio John, em 2009, comentou a possibilidade de os árbitros errarem durante as lutas. Ao ser questionado sobre a conduta de um colega, Yves Lavigne, no UFC 96, ele disparou: “Mas todos nós cometemos erros, eu, Herb, Mario, Steve. Se eu acho que ele errou? Sim, acho que Yves sabe que cometeu um erro mas isso não muda o fato de que ele é um árbitro muito bom e tem feito um trabalho muito bom até aquela luta. Agora todo mundo está dizendo que ele é terrível. Ele errou mas qualquer um pode errar. É difícil para as pessoas entenderem que o que acontece, mas os árbitros são humanos e todos erramos”

O peso das críticas a Mario Yamasaki pela decisão no UFC Rio II também esconde possíveis intepretações a respeito da postura de Erick Silva – lutador revelação do MMA brasileiro com habilidade incontestável. Durante a exibição da luta na Globo, Anderson Silva, campeão dos médios, ficou confuso com a possibilidade de o atleta ter atingido o adversário na nuca – embora tivesse os replays dos golpes à disposição. Indefinição natural diante de lances polêmicos.

 

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