O publicitário Durango Duarte divulga a cessão de autógrafos do seu livro “Caso Delmo: o crime mais famoso de Manaus", a realizar-se em 01/08/11, das 19h às 21h30, no Espaço Cultural Thiago de Mello.
Este Blog já havia publicado a matéria:
Assassinato de Delmo: Atos de violência praticados por grupos organizados de taxistas não são novidade
Leia abaixo sobre o crime e veja as fotos da época.
Há pouco mais de um mês, no dia 7 de julho, um vídeo postado no site Youtube chocou o Brasil. A cena, captada por um cidadão que observava a ação de sua janela, mostrava cinco taxistas espancando um colega de profissão no meio da rua. O taxista agredido, Kleber Luis Oliveira, não era registrado pela cooperativa que atua no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, e teria aceitado um passageiro no local, o que, pela “ética” da classe, é expressamente proibido. Casos como este são cada vez mais comuns – um dos agressores de Kleber, José Carlos Neres de Freitas, inclusive, já responde a três processos similares.
Mas o ocorrido me fez lembrar um outro caso que meu pai sempre contava. Na década de 50 este fato colocou Manaus em evidência no mundo todo. Em 5 de fevereiro de 1952, Delmo Campelo Pereira, de 19 anos, foi espancado e assassinado por um grupo de cerca de 40 taxistas. Delmo estava sob custódia da polícia, acusado de assassinar o vigia de uma serraria e o taxista Zé Honório.
Naquela noite, por ordem do então Chefe de Polícia do Estado, Manoel da Rocha Barros, o jovem havia passado por uma avaliação psiquiátrica no Serviço de Socorros de Urgência de Manaus e, após o exame (inquirição, levada a efeito sob a ação do chamado “soro da verdade"), deveria ser transferido de ambulância para a Central de Polícia, a 800 metros dalí.
Acreditando que Delmo sairia impune e revoltados com o assassinato do companheiro de profissão, um grupo de taxistas subornou o motorista da ambulância, Francisco Chagas Barroso e o enfermeiro Silvio Alves de Oliveira, para que a “encomenda” não chegasse a seu destino. O veículo foi interceptado na praça São Sebastião e Delmo arrancado de seu interior sem que o policial responsável por sua custódia, Eliseu Costa Moreira, pudesse reagir.
Delmo foi levado a uma clareira próxima a estrada Velha de São Raimundo, no porta-malas de um táxi, e foi espancado até a morte. O crime chocou o Brasil e, na época, foi notícia até para a BBC de Londres.
Severino Gabriel da Silva, vulgo TAMBAQUI, foi um dos que prepararam o movimento de reação dos chauffeurs, muito esquivo, fugia das fotos, mas foi flagrado pelas lentes de Kanai.
Morto pelo remorso, o enfermeiro Silvio Alves de Oliveira, que entregou Delmo aos seus trucidadores, via telefone, enforcou-se nos punhos da rede em sua cela. 
Foto da reconstituição dos crimes de Delmo e as armas que ele usou, sendo a primeira uma a chave inglesa, para ferir o vigia da serraria do seu pai, Antônio Firmino, e o revolver para matar o taxista José Honório, com quatro tiros. 


A história foi recuperada graças a uma edição da revista “O Cruzeiro”, que relatava, de maneira folhetinesca, todo o ocorrido, a qual foi entregue à mim por JONATAS ALMEIDA, presidente do SIFAM.
Fotos: Utaro Kanai.
Fonte: O Cruzeiro

































